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(05/09) Guarani 2 x 1 Fluminense
Gol Emerson

Futebol Profissional


08/02/2010 - 18:10

A benção, João de Deus

O dia em que nasceu um pacto de fé


Cássio Cornachi e Marcelo Savioli

A benção, João de Deus
O Campeonato Estadual de 1980 teve características muito peculiares. Dentre elas, o famoso tetra-Anapolina. É que naquele ano, o Flamengo, que já era tri-campeão de 1978/1979, pretendia conquistar o tetra, ou seja 1978/1979/1980.

O rubro-negro até que começou bem, conquistando a Taça Guanabara, mas essa, naquele ano, não classificava o campeão para a fase final. O papel do Flamengo como protagonista, encerrou-se aí.

Anapolina era um jogador do Serrano, que fez o gol da vitória, já no segundo turno, eliminando o Flamengo da disputa do "tetra". Foi duro para os rubro-negros saírem na rua no dia seguinte àquele jogo.

Os verdadeiros protagonistas da competição se enfrentariam na decisão do primeiro turno. O vencedor do turno adquiriria o direito de participar da grande final do estadual daquele ano.

A torcida Tricolor, ainda que seja redundante dizer, estava linda e entusiasmada e não demorou para fechar seu lado na arquibancada. Por volta das 15:30, o som que se ouvia na arquibancada Tricolor era do lindíssimo samba da União da Ilha, cujo refrão dizia: "Sou eu, sou eu, trazendo felicidade, sou eu".

O Fluminense tinha em seu elenco muitos jogadores jovens e desconhecidos, como Delei, Mário, Gilberto, Robertinho, Zezé, Tadeu, Edvaldo e Paulo Goulart, capitaneados pelo zagueiro Edinho, Rubens Galaxe e Cláudio Adão. O Vasco contava com jogadores já experientes, como o goleiro Mazzaropi, Marco Antônio, Orlando Lelé e Roberto Dinamite.

O jogo iniciou-se às 17:00 e o Vasco não demorou a abrir o placar, com uma cabeçada de Roberto Dinamite. Do lado oposto da arquibancada do Fluminense, a torcida do Vasco respondia com o belo samba da Imperatriz Leopoldinense. Naquela época era muito comum as torcidas cantarem sambas de enredo no Maracanã, primeiro porque havia sempre uma profusão de lindas composições, segundo porque o carnaval era popular na cidade.

A alegria vascaína não durou muito, pois Gilberto, um meia rápido e habilidoso, empatou ainda no primeiro tempo.

O Fluminense foi melhor durante toda a partida, mas não conseguiu converter a superioridade em vitória. E para desespero dos tricolores, a decisão acabou indo para os pênaltis. Ainda estava vivo na mente de todos os tricolores o desastre de 1976, quando o Fluminense perdeu a classificação para a final do Brasileiro nos pênaltis, para o Corinthians. Logo, nenhum tricolor via com bons olhos aquela situação.

Foi quando, timidamente, começou a ser entoado na arquibancada uma música bem diferente do usual. Ao som do jingle da campanha da vinda do Papa João Paulo II ao Brasil, nascia um pacto de fé. João de Deus, o popular sumo pontífice, entrava para a história do Fluminense Football Club.

O fato é que, enquanto o volume de "a Benção, João de Deus" ia aumentando na arquibancada, um outro personagem se consagrava embaixo das traves. Graças ao goleiro Paulo Goulart, com duas defesas, o Fluminense derrotou o Vasco nos pênaltis, apagando o trauma de 1976.

Goulart tornou-se herói. A aliança da torcida Tricolor com João de Deus, por sua vez, perpetuou-se até os dias atuais.

Marcelo Savioli escreve, quase que diariamente, em seu blog. Para acessá-lo, clique aqui.

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