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20/02/2012 - 16:56

Don Benedito - Paraguaio falsificado, tricolor verdadeiro!

A vida muda de minuto a minuto


Don Benedito

Don Benedito - Paraguaio falsificado, tricolor verdadeiro!
É sempre assim. De vez em quando eu sumo, mas volto. Perco-me pelas estradas da vida. Fico um tempo sem escrever, consequentemente sem trabalhar e ganhar dinheiro, contudo, sempre retorno para o lugar do qual nunca deveria ter saído. É óbvio que durante este tempo, justamente por não estar recebendo nada, sou obrigado a adotar um estilo de vida monástico. Austero, eu diria. Só que isso é bom, pois acabo perdendo alguns quilos. Afino a silhueta. Mas agora chega. O Fluminense está na semifinal do primeiro turno do Carioca, estreou com vitória na Libertadores e a hora de enfrentar o Império do Mal argentino na temível La Bombonera se avizinha! Sinto falta de escrever sobre nosso time e sinto falta do contato com vocês, queridos leitores!

Torcedor de futebol (ou qualquer outro esporte que mexa com multidões, bocha não está inclusa nesta lista) é supersticioso. Logo procura coincidências para justificar a fé em um futuro glorioso ou explicar uma derrota anteriormente inimaginável. Por estes dias, lembrei-me que em 16 de fevereiro de 2008 disputamos a semifinal da Taça Guanabara contra o Bostafogo. A partida foi complicada e desperdiçamos a chance de fazer 1 a 0: Washington errou uma penalidade. Estava na arquibancada e lembro-me bem das vaias que ressoaram ao término do confronto. O placar do Maracanã decretava o revés por 2 a 0. Recordo-me com clareza das críticas que ouvi de diversos torcedores rumando para casa: “O time é desorganizado”, “Não tem tática”, “Esse cara (Xitão) não pode cobrar pênalti” e por aí vai! No dia 2 de julho, disputamos a final mais importante de nossa história e perdemos novamente. Acontece que desta vez jogando bem. De cabeça erguida o time deixou o estádio sob aplausos. Em menos de cinco meses as vaias faziam parte do passado. A vida muda de minuto a minuto.

A razão de rememorar estes fatos tristes é uma só: Libertadores pela frente com um time tão ou mais estrelado do que aquele de 2008, mais uma vez, o destino nos coloca frente a frente com a equipe do canil em uma semifinal de TG. O momento, de novo, não é dos melhores. Em que pese o fato de termos vencido os dois últimos jogos, algumas críticas se repetem: “O time é desorganizado”, “Não tem tática”... E se desta vez o centroavante conta com a confiança de quase toda a torcida, a defesa é o Judas da hora! Ninguém confia em Anderson, Leandro Euzébio, Digão e companhia.

Tricolores de todas as classes, raças e credos! Quando eu escrevi que torcedor é supersticioso não me exclui. Tanto é que achei semelhanças e gastei um tempo rascunhando esta crônica. Se coincidências valem de alguma coisa, se o futebol realmente tem deuses que jogam dados e tripudiam da nossa tristeza, que o enredo, agora, seja diferente! Que uma vitória na próxima quinta-feira seja o prenúncio de um triunfo contra o Emelec (outro equatoriano seria emblemático demais, não?) na decisão da Copa Santander Libertadores. E se não vencermos a equipe dos Bidus, Bugus, Milus e Snoopys, que ninguém se desespere. Sob o comando de Abel Braga (não tenho dúvida disto!) esta equipe se ajeitará e em breve deixará o estádio aplaudida com a taça debaixo do braço. Que a Virgem de Caacupé nos ilumine! Saudações Tricolores!

Um minuto de acréscimo: Qual é o time ideal? Esta questão reverbera na cabeça de muitos tricolores e se fizermos uma mesa redonda não chegaremos a um consenso. Fã declarado de Gum, limitado, mas sério e excelente nas bolas aéreas, acredito que este tenha lugar cativo na defesa, claro, assim que tiver plenas condições de atuar. Antes da péssima fase de Leandro Euzébio, acreditava que esta era a dupla ideal. Araújo é a surpresa da temporada. Nada como a ameaça de demissão (ele só não saiu por falta de um clube interessado) para fazer um cara trabalhar duro. Nunca duvidei de sua qualidade. Contudo, ele tem apresentado algo mais: ataca e defende com desenvoltura. É o falso ponta-esquerda que compõe o meio-campo. A revelação Wellington Nem vem repetindo a pelota jogada em Santa Catarina e já faz por merecer a vaga de Rafael Sóbis (não desistamos deste, pois é relativamente novo e tem muita bola!). Por último, Jean na vaga de Diguinho ou Edinho é algo que só os idiotas da objetividade não enxergam. Qual dos dois deve sair é uma questão de armação tática e gosto.

Dois minutos de acréscimo: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Edinho e Carlinhos; Jean, Deco e Thiago Neves; Wellington Nem, Fred e Araújo. Este é o time que desejo ver em campo. Uma formação um pouco mais conservadora teria TN7 avançado no lugar de Araújo ou Nem com Diguinho no meio.

Três minutos de acréscimo: Abelão terá uma opção de qualidade para a zaga quando Elivélton voltar. Na lateral-esquerda, Carlinhos que se cuide, pois Thiago Carleto está pedindo passagem.

DON BENEDITO

Don Benedito, filho de uma sacoleira baiana, nasceu por acaso em Ciudad del Este. Apesar de se dizer o único "paraguaio negro", não fala uma só palavra de espanhol ou guarani. Seu esporte preferido é cornetar e tem como mascote um gato da sorte chamado Adriano Magrão. Homem de hábitos refinados, como qualquer tricolor, adora roupas caras e um bom whisky, nada paraguaio, é claro!

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