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COPA DO BRASIL 2007
Finalmente conquistamos a Copa do Brasil! Após a perda do título para o árbitro José Aparecido de Oliveira em 1992 e para o Paulista em 2005, quando éramos favoritos, o Fluminense deu a volta por cima e venceu a competição quando menos esperávamos. Durante toda a competição, o Fluminense nunca foi apontado como favorito. A imprensa bairrista, como sempre, prognosticou Palmeiras, Cruzeiro e Corinthians como os mais fortes para a disputa do título. Mas com a eliminação dos times que simpatizavam, elegeram o Botafogo como a bola da vez. E o Botafogo também claudicou em suas próprias pernas, parando nas semifinais diante do Figueirense. E sem ter para quem torcer, apontaram o Figueirense como futuro campeão. O curioso é que teve comentarista que chegou a afirmar que daria o seu salário se o Figueira não fosse campeão. Só espero que o salário deste indivíduo não seja muito alto para que o seu arrependimento não seja maior. Futebol é jogado dentro de campo. Não se ganha campeonato antes de defrontar com seus adversários. A Copa do Brasil é um campeonato em que os times menores dão a sua vida para vencer os times considerados grandes e ter seus nomes reconhecidos. Prova disso, são os títulos de 2004 e 2005, em que Santo André e Paulista foram campeões fora de casa, passando por Flamengo e Fluminense, respectivamente. E o Fluminense? Ah! O Fluminense! Nosso clube começou tão desacreditado... Ninguém falou, sequer cogitou a hipótese de disputarmos o título, mesmo com o bom retrospecto do clube nas duas edições anteriores, quando fomos vice (2005) e semifinalistas (2006). Em meio a tantos problemas internos, o Tricolor iniciou a Copa do Brasil tentando afastar a crise que havia se instalado nas Laranjeiras devido à péssima campanha no Campeonato Carioca, competição em que o clube foi eliminado na primeira fase. O primeiro jogo do Fluminense na Copa do Brasil aconteceu no dia 14 de fevereiro, no Acre, contra o desconhecido time da ADESG. E foi sem mostrar bom futebol que o clube venceu o time acreano por 2 x 1, com gols de Soares e Alex Dias. Descrente pela campanha pífia no campeonato estadual, o Fluminense parecia jogar sem ânimo, sem inspiração. Mesmo assim, no segundo jogo, já de técnico novo (Joel Santana), o time goleou o mesmo ADESG por 6 x 0 com grande atuação de Alex Dias e Thiago Neves. Superada a primeira fase, o Tricolor avançou à segunda etapa da competição para enfrentar o América de Natal, o qual venceu no critério de gols marcados fora de casa, já que triunfou em Natal por 2 x 1 e perdeu seu único jogo no torneio por 1 x 0, no Maracanã. A essa altura, Joel Santana já tinha o seu trabalho criticado. As substituições feitas pelo técnico no time causaram a ira dos torcedores que foram às Laranjeiras protestar contra as péssimas atuações do clube, o que mais investiu em reforços em 2007. Classificado para as oitavas de finais, mas com a auto-estima em baixa, o Fluminense recebeu o Bahia, no Maracanã para o primeiro confronto entre as duas equipes. O time iniciou bem o primeiro jogo, fazendo 1 x 0 com Carlos Alberto, mas o Bahia empatou no segundo tempo, com gol de Fábio Saci, e aí a torcida não perdoou: chamou o técnico Joel Santana de "burro" e pediu a sua saída, que foi atendida pelos cartolas tricolores após o jogo. Imediatamente, o clube contratou o técnico Renato Gaúcho que viajou para assistir o jogo em Salvador. Vinícius Eutrópio novamente foi o comandante interino do tricolor. Eliminado do Campeonato Carioca precocemente e com uma semana para treinar, Vinícius garantiu que diante do Bahia, em Salvador, não faltaria vontade ao time tricolor. E de fato não faltou. O empate em 2 x 2 na Fonte Nova diante de 50 mil torcedores do Bahia teve sabor de vitória. Com muita vontade, o Fluminense se superou e manteve a escrita contra a equipe baiana, que não o vence desde 1990. Chegando às quartas-de-final, já sob o comando do técnico Renato Gaúcho, o Fluminense passou a contar com um ingrediente a mais e preponderante para quem quer ser campeão: vontade de vencer. O time, que parecia abatido toda vez que entrava em campo, passou a ter outra postura. Agigantou-se diante das adversidades e conseguiu resultados heróicos, apresentando um espírito de luta que jamais será esquecido pelos tricolores. O empate em 1 x 1 com o Atlético-PR, no Maracanã, fez com que algumas pitonisas de plantão profetizassem a classificação da equipe paranaense para as semifinais. Novamente, os falsos profetas queimaram a língua. Jogando em Curitiba, o Tricolor esteve formidável e venceu por 1 x 0, com gol de Adriano Magrão, que entrara no decorrer da partida. Mal sabia o atacante, que ele passaria a ser imprescindível para a conquista do clube. Recuperada a confiança, o Fluminense não tomou conhecimento do Brasiliense no Maracanã e venceu por 4 x 2, com gols de Thiago Silva, Alex Dias, Adriano Magrão e Carlos Alberto. No segundo jogo, a torcida do Fluminense compareceu em grande número, quase dividindo o Estádio Serejão com a torcida do Brasiliense, fazendo com que o time se sentisse em casa. A partida começou com o Brasiliense atacando, pressionando o Flu em seu campo de defesa. Não demorou e o Brasiliense abriu o marcador, aos 5 minutos, com gol anotado por Alan Delon após rápida triangulação com o atacante Warley. Diferente de alguns jogos atrás, o Fluminense não se abateu e buscou o empate. A situação melhorou quando o meio-campo Carlos Alberto do Brasiliense fez falta dura em Carlinhos e foi expulso. Com um jogador a mais, o Tricolor passou a comandar as ações em campo e chegou ao gol de empate no início do segundo tempo. Arouca tabelou com Alex Dias, recebeu na linha de fundo, evitou a saída de bola e cruzou para Adriano Magrão, que sozinho, marcou o gol de empate e da classificação do Flu, de cabeça. Muito criticado pela torcida, Fernando Henrique garantiu o resultado, fazendo defesas incríveis e contando com a ajuda da trave em duas oportunidades. Uma semana depois, o Fluminense finalmente chegava à grande decisão da Copa do Brasil. Seu adversário seria o Figueirense que havia eliminado o Botafogo em pleno Maracanã. Detentor da melhor campanha até então, o Figueirense chegou às finais confiante na conquista do título. Para o primeiro jogo, no Maracanã, foram colocados à venda pouco mais de 64 mil ingressos. Dois dias antes da partida, os bilhetes estavam esgotados. A chuva que caiu por parte da tarde e durante toda a noite, não foi capaz de espantar os tricolores que lotaram as dependências do Estádio Mário Filho, contabilizando a maior assistência da competição, quando 64.669 torcedores dividiram as arquibancadas. Saudado por sua torcida, o Fluminense entrou em campo no dia 30 de maio de 2007 com o objetivo de vencer e garantir vantagem para o jogo seguinte. Mas o que se viu foi um jogo difícil com o Figueirense muito bem montado taticamente pelo seu treinador Mário Sérgio, que armou o time na defesa, explorando esporadicamente os contra-ataques. A primeira chance do jogo foi do Fluminense. Ivan entrou sozinho na grande área e chutou pra fora. Depois, o que se viu foram vários passes errados, pouca objetividade e muito corre-corre dos dois lados. No último minuto do primeiro tempo, Adriano Magrão ainda perdeu uma chance incrível para abrir o marcador. No segundo tempo, a pressão tricolor aumentou e o Figueirense passou a contra-atacar com mais perigo. Aos 38 minutos, Fernando Henrique afastou cruzamento da direita. A defesa do Fluminense bateu cabeça e Henrique acertou um chute certeiro no ângulo do goleiro tricolor, silenciando o Maracanã. Correndo contra o tempo, o Fluminense lançou-se ao ataque. E aos 43 minutos, Thiago Neves fez boa jogada pela direita, invadiu a área e tocou para Adriano Magrão marcar: o quarto gol seguido dele na Copa do Brasil. Para o jogo de volta, dizem as más línguas que Renato Gaúcho motivou os jogadores do Fluminense anexando na parede do vestiário do Estádio Orlando Scarpelli um suposto pôster já confeccionado pela diretoria do Figueirense com os dizeres Figueirense Campeão da Copa do Brasil. Aquilo teria sido o combustível para o time entrar mordido e vencer o time de Santa Catarina. Logo aos 3 minutos do primeiro tempo, Júnior César cobrou escanteio pela esquerda, Adriano Magrão brigou pela bola e cruzou para Roger, que sem marcação, matou no peito e chutou forte, abrindo o placar para o Fluminense. O time do Figueirense entrou em desespero. Com 20 minutos de jogo, o técnico Mário Sérgio fez duas alterações na equipe e desmantelou o esquema com apenas 1 atacante e 5 meio-campistas. O Tricolor se fechou no campo de defesa e segurou o resultado até o fim da partida, garantindo o título inédito de campeão da Copa do Brasil. Em nenhum momento o Fluminense mostrou-se tecnicamente inferior à equipe do Figueirense. Jogou com objetividade e aplicação tática. Fernando Henrique foi um paredão; Fabinho, um leão em campo; Roger foi um guerreiro, brigando o tempo todo e Adriano Magrão mais uma vez foi um predestinado, dando o passe que originou o gol de Roger. Não podemos esquecer da vontade e categoria de Thiago Silva, incontestavelmente o melhor zagueiro do Brasil, além, é claro, de outros valores do clube como os laterais Carlinhos e Júnior César; os meio campistas Cícero, Carlos Alberto, Arouca e Thiago Neves; o atacante Alex Dias e todos os demais jogadores que fizeram parte deste grupo vitorioso e promissor do futebol tricolor. A nossa torcida está em festa e já merecia um título nacional há muito tempo. Esperar 23 anos por tal conquista é muito para um clube tantas vezes campeão. Parabéns para o Fluminense Football Club, o Campeão de fato e de direito da Copa do Brasil de 2007! Saudações Tricolores, Marcel Cezar. |