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Quem pensa que a conquista do terceiro título brasileiro do Fluminense começou com a derrota para o Ceará, no Castelão, em 9 de maio de 2010, está redondamente enganado! Na verdade, se não tivéssemos passado incólume pelo “Inferno Verde”, um ano atrás, em Curitiba, se Marquinho não tivesse batido aquela falta, talvez estivéssemos comemorando o campeonato da Série B. No instante que a sacro-santa bomba disparada pelo incendiário balançou as redes do adversário, o curso da nossa historia foi irremediavelmente alterado!

Um ano e 38 partidas depois, os tricolores tomaram as ruas do Rio de Janeiro, os campinhos de várzea do subúrbio, as praças da Zona Sul, o Largo da Carioca e a Sapucaí, trajando suas camisas e empunhando suas bandeiras. Não houve uma recepção calorosa no Santos Dumont, afinal o título foi decidido em casa. Uma nova casa, bem é verdade, o Engenhão, mas um lugar que chamaremos de lar e que todos os tricolores guardarão em seus corações depois do último dia 5 de dezembro.

Assim como quis o destino que ganhássemos o Brasileirão em uma cancha batizada com o nome de um ícone Tricolor, João Havelange, quis essa mesma força impulsionadora de vidas e sonhos que a nossa glória passasse, novamente, pelos pés de um gringo boa praça. Romerito em 1984, Conca em 2010. Só que as semelhanças não param por aí!

Nas duas últimas conquistas, o Fluminense não teve um artilheiro destacado. Em 84, Washington e Assis marcaram cada um 11 gols. Neste ano, Conca marcou nove vezes, Emerson e Washington “Coração Valente”, oito. Isso sem falar na solidez defensiva: Ricardo Gomes, Duílio, Leandro Euzébio e
Gum transmitiram a confiança necessária para que os craques resolvessem a parada lá na frente. E injusto seríamos se, mais de duas décadas depois, não lembrássemos que a ousadia de Carlinhos e Mariano parece bastante com a de Branco e Aldo.

No banco, dois comandantes que fazem do trabalho diário e da retidão suas marcas registradas: Carlos Alberto Parreira e Muricy Ramalho. Em épocas e tempos diferentes, os melhores treinadores do Brasil. Calma, Muriçoca! Você ainda será campeão do mundo com a Seleção Brasileira, mas antes, por favor,
um mundial de clubes pra gente! Estamos combinados?

Qualquer um que esteve no Maracanã, em 1984, recita aquele time de cabeça: Paulo Victor; Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Deley e Assis; Romerito, Washington e Tato.

Qualquer um que esteve no Engenhão, em 2010, lembrará com muito orgulho da escalação final. Porém, possivelmente, terá problemas em escalar o time base. Com tantas contusões e desfalques, o Fluminense foi mais do que um time campeão, foi um grupo campeão!

Então, para não cometermos nenhuma injustiça, louvemos todos os heróis que entraram em campo e defenderam nossas cores com galhardia: Ricardo Berna, Fernando Henrique e Rafael; Mariano, Marquinhos, Carlinhos e Julio Cesar; Leandro Euzébio, Gum, André Luis, Cássio e Digão; Diogo, Diguinho, Valencia, Fernando Bob, Belletti e Thiaguinho; Conca, Deco, Marquinho,Tartá, Equi González e Willians; Fred, Emerson, Washington, Rodriguinho, Alan e Wellington Silva.

Salve os tricampeões!

Bruno Giacobbo

Copyright © 2010 - Canal Fluminense - Arte: Gabriel Joaquim - Fotos: Daniel Zappe
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