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Assuntos diversos relacionados ao Fluminense F.C. sob a ótica da equipe do Canal Fluminense

10/06/2012 - 20:41

Poderia ter sido melhor

Marcelo Savioli


Fui ao Engenhão na tarde de hoje esperançoso de reunir material de primeira para esta minha última coluna nessa maravilhosa casa, que não só me acolheu como me apontou o caminho para um reencontro definitivo comigo mesmo. Uma pena! Vou ter que me despedir falando de mais um empate. Que saco!

Não faltavam motivos para otimismo. Afinal teríamos a volta de Fred, Wellington Nem e Deco. Não que eu em algum momento os pretendesse ver atuando simultaneamente, uma vez que Nem voltava de uma viagem da América do Norte com a seleção e os demais de um longo período inativos. Mas não é que o nosso treinador nos surpreendeu a todos, escalou os três de saída e ainda deixou Marcos Júnior fora até mesmo do banco?

O Fluminense encarou um início de campeonato na medida para se estrepar. Afinal dez entre dez analistas apontam Santos, Corinthians e Inter como nossos principais adversários no certame na luta pelo título. Pois o Fluminense, em quatro jogos, encarou os três. A vitória sobre o Corinthians no Pacaembu, ainda na primeira rodada, jogando com um time recheado de garotos nos deslumbrou, embora a partida tenha sido rigorosamente equilibrada. Depois disso pegamos o Figueirense e tropeçamos na ingenuidade do garoto Wallace, que foi expulso ainda no primeiro tempo, equilibrando um jogo que era nosso. Primeiro empate. Contra o Santos fomos superiores, mas nosso ataque não funcionou e outro empate. Na tarde de hoje, por incrível que pareça, conseguimos pelo menos três chances primorosas de gol, sobretudo por conta da presença de Nem. Mesmo assim não aproveitamos nenhuma e acabamos tendo que engolir mais um empate. Ou seja, prepararam uma ratoeira, esqueceram da isca e mesmo assim deixamos a ponta do rabo de troféu na armadilha. Perdemos a oportunidade de uma arrancada espetacular por não vencermos partidas que nos eram amplamente favoráveis. Paciência.

Abel escalou Fred, Nem e Deco e o time perdeu aquela pegada das últimas partidas, quando dominou Santos e Figueirense ( esse até Wallace ter sido expulso ). Nada além do provável. Deco cadencia o jogo e não tem tanta intensidade na marcação, Fred mal conseguia dominar a volta e Nem era o que mais contribuía para que o Flu chegasse com algum perigo ao gol adversário. E foi ele o primeiro a ser substituído, espero que por cansaço, já que era o melhor jogador do time ofensivamente. O problema foi o substituto. Matheus Carvalho até serviu Lanzini no final, na maior chance da partida, mas definitivamente não é jogador para estar no Fluminense. Pior ainda foi Lanzini ter desperdiçado o gol sem sequer ter feito o óbvio: chutar a bola. Já deu, não é gringo? Está na hora de dar lugar aos outros meninos da sua idade, que não custam R$20 milhões e, provavelmente, jogam mais que você, a não ser que estejas a guardar o seu futebol para uma ocasião especial.

Wagner hoje não esteve bem, Jean voltou a apresentar de forma exacerbada todos os seus defeitos. Foi um tal de errar passes na intermediária e no campo de ataque que, como atenuante, só podemos citar a mudança na dinâmica do time, causada pela presença de Deco.

Só fico a tentar definir se a pior barbeiragem de Abel foi ter escalado Nem, Fred e Deco de início, ter deixado Marcos Júnior de fora do jogo, ter substituído Nem pelo fraco Matheus Carvalho ou ter demorado tanto a tirar Fred do jogo. Acho que o pior erro foi ter me deixado sem uma vitória para comentar nessa despedida. Talvez por isso a minha paciência com o Lanzini também tenha acabado.

Nada está perdido. Estou transferindo a crônica dos jogos para o O'Tricolor.com e desejo muita sorte a quem venha a me substituir. Mas desejo igualmente inaugurar o novo espaço num ano de título brasileiro, assim como foi aqui em 2010. Para isso precisaremos ter a intensidade das primeiras rodadas, a maior qualidade ofensiva de hoje e a inspiração das três partidas das quais nos orgulhamos nessa temporada, que todo já sabem de cor e salteado. Todavia três partidas apresentando excelência é muito pouco para quase um semestre inteiro. Precisamos de muito mais que isso para cumprirmos a obrigação de conquistar o tetracampeonato.

No mais, quero agradecer o carinho de todos que acompanham essa coluna, convidá-los a continuar me acompanhando na nova empreitada e pedir a todos que continuem acreditando na inigualável grandeza do Fluminense F.C. Estou voltando às atividades de editor e diretor de Marketing e Planejamento, que exerci no Fluminense & Etc nos anos de 2010 e 2011, só que agora num veículo que será parte de uma empresa planejada para ser suficientemente lucrativa para dar suporte a uma atividade duradoura, comprometida com o clube, com sua história e seu destino. Vem muita coisa por aí.

Grande abraço a todos, vida longa ao C.F. e todo poder ao Pó-de-Arroz!

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07/06/2012 - 15:30

Precisamos acertar o ataque

Marcelo Savioli


Os ataques de Fluminense e Santos eram tão inofensivos que os gols saíram de lances inusitados. O do Santos, logo no comecinho do jogo, de uma entregada bisonha de Edinho, que serviu Renteria de forma irreversível. O do Fluminense, consequência de um pênalti inexistente. Carlinhos foi derrubado fora da área e o árbitro resoluto e confiante apontou a marca do pênalti. Só não se sabe de onde ele tirou tanta certeza.

Para quem, no entanto, acredita em mula sem cabeça, coelhinho da páscoa, saci pererê e arbitragens ajudando o Fluminense, o único gol decorrente de uma jogada trabalhada, marcado pelo Tricolor no segundo tempo, foi devidamente anulado pela marcação de um impedimento que só Suas Senhorias viram.

Quanto ao jogo, o Fluminense foi superior durante os 90 minutos, adotando forte marcação em toda extensão do campo, buscando a roubada de bola e quando conseguia a posse da mesma, trabalhando muito bem até a entrada da área do Santos. Então começava o problema. Samuel não encontrava o melhor posicionamento na área e as bolas cruzadas, mesmo as bem trabalhadas, acabavam afastadas pela defesa do Santos. Jean voltou a ser fominha e precipitado quando chegava na zona de definição. Talvez seja melhor simplesmente tocar a bola, não é mesmo Jean?

Já a nossa dupla de zaga vai surpreendendo, sobretudo porque Gum anda sendo soberano em sua faixa de campo. Mas isso não é só consequência da boa fase vivida pelos atuais titulares da zaga. O bom momento é, sobretudo, consequência da boa marcação, que faz a bola adversária chegar quadrada, o que lembra muito o Flu de 2010. A diferença é que o Flu de hoje gosta de jogar com a bola no chão, embora careça de eficácia ofensiva, o que não faltava aos tricampeões. Talvez com o retorno de Fred e Wellington Nem, jogar com o Fluminense se torne um verdadeiro pesadelo para os adversários.

Temos um time com consciência tática, com talento e um estilo de jogo diferenciado, com valorização da posse de bola. Falta, talvez, um pouco mais de paciência para definir as jogadas e mesmo quem as defina de fato. Gosto muito do que ando vendo. E já estou fazendo a contagem regressiva para o Flu voar em campo. Para isso, porém, precisamos do retorno de algumas peças. E por incrível que pareça não é Deco quem nos faz mais falta e sim os atacantes. Mas é claro que sua presença será um upgrade.

Já o adversário é um time para lá de comum sem Neymar. Por isso joga em função do seu craque. Sem ele o Santos é modorrento e acabou envolvido pelo Fluminense em grande parte do jogo. Talvez esteja sendo superestimado em relação ao Brasileirão. Um time que joga em função de um jogador e não sabe bem o que fazer com a bola sem ele não me parece ser candidatíssimo ao título de uma competição longa e desgastante como o Brasileiro.

Domingo é dia de Engenhão, no tradicional horário das 17:00. Teremos a volta do Mago ao meio de campo. Certamente será Lanzini o substituído. Até porque Lanzini não teve atuação digna de aplausos, embora tenha sido importante na manutenção da intensidade da marcação tricolor, se movimentando bastante. Com a bola no pé, continua devendo. Talvez Abel pudesse fazer um 4/5/1, formando duas linhas de quatro, com Marcos Junior ( que eu não entendi até agora porque foi substituído ontem ), Lanzini, Wagner e Deco formando a primeira e os laterais, Jean e qualquer um, menos o Edinho, formando a segunda linha. Time leve para envolver a defesa pesadona do Inter.

Não basta não perder. Está na hora de começarmos a vencer e convencer. Tem gente querendo disparar na tabela. Não pode.

Saudações Tricolores!


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04/06/2012 - 17:21

Compasso de despedida

Marcelo Savioli


Estou aqui pensando em uma forma de fugir dos clichês, sem deixar de lembrar que há pouco mais de dois anos comecei minha jornada aqui no Canal Fluminense. Na ocasião me enamorei com o jornalismo, atividade que abandonara ainda no século passado, graças a uma entrevista com o então ex vice de futebol do Fluminense na espantosa arrancada de 2009, que evitou o rebaixamento iminente , Ricardo Tenório. A entrevista teve excelente repercussão e percebi que estava num caminho possível e até provável.

Alguns meses antes eu deixara uma trabalho de onze anos numa grande empresa, obcecado por introduzir em minha vida de forma definitiva o binômio qualidade de vida x satisfação no trabalho. E é fato que o trabalho realizado aqui e no Fluminense & Etc, onde fui, além de colunista, editor e diretor de marketing e planejamento, me trouxe alguns dos momentos de maior alegria da minha vida.

Mas antes que o leitor pense que estou largando a atividade, trata-se, na verdade, de uma grande mudança, que, provavelmente – o objetivo é esse – me permitirá continuar militando no jornalismo segmentado com a mesma dedicação que marcou a minha caminhada nos anos de 2010 e 2011. Na verdade o trabalho está só começando. Trata-se de O'Tricolor.com, um novo empreendimento, que estará no ar no próximo dia 17. Mas não é do O'Tricolor.com que se trata essa coluna e sim de assegurar ao leitor, que tem a generosidade de me acompanhar, que o meu compromisso com o Fluminense F.C. e sua torcida continua de pé e até mesmo fortalecido. Porém, trata-se também de anunciar que a minha participação nessa coluna está chegando ao fim. Já estive com o Gabriel Perez, um grande amigo e proprietário do Canal Fluminense, que estará trabalhando para encontrar um substituto.

Estou deixando aqui relatada toda a campanha do tricampeonato brasileiro e, em crônica, outros momentos de grande emoção. Por conta disso, antecipo meus agradecimentos a todos os leitores, ao Gabriel e ao Cássio Cornachi, que me apresentou a esse veículo. Quem sabe uma dia algumas das crônicas não venham a compor uma antologia? Espero que o projeto não seja presunçoso demais.

Enfim, estou apenas antecipando a despedida, porque estarei aqui nos próximos dois jogos, quando espero poder escrever sobre o início da arrancada para o tetra. A partir de então estarei me dedicando exclusivamente ao novo projeto. Conto, claro, com a torcida e a audiência de todos.

E chega disso, não é, gente? Só acrescentando que carregarei para sempre no meu coração esse longo período que passei aqui. E eu ia evitar os clichês. Mas agora chega mesmo! Quarta-feira é o Santos, o Brasileiro é a nossa meta, assim como precisamos continuar nos reconstruindo, o que passa pelo aumento das receitas do clube. Vamos acompanhar o desenrolar do projeto do “sócio futebol”. Que, caso bem realizado, poderá nos proporcionar um grande passo no caminho do equilíbrio financeiro. Vamos torcer para que o processo seja conduzido da melhor maneira, dentro dos princípios da fidalguia, do diálogo, da negociação e do respeito.

É só por hoje.

Um grande abraço a todos!

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31/05/2012 - 10:00

Para além das idas e vindas

Marcelo Savioli


As indas e vindas do elenco tricolor ao departamento médico parecem mesmo intermináveis e vão acabar sendo ingrediente inevitável no planejamento da equipe que irá atuar nas próximas rodadas do Brasileirão.

Enquanto Deco vai retornando ao elenco e já deve estar em campo contra o Santos e tudo indica que Fred não levará mais que duas semanas para voltar a vestir a camisa do Prêmio Nobel do Esporte, Thiago Neves estará ausente por cerca de dez rodadas. O meia irá se submeter a uma cirurgia no joelho esquerdo e a previsão de retorno aos gramados deve chegar a até dois meses.

Com Diguinho sem previsão de retorno e Bruno recuperado, o Fluminense parece que atuará contra o Santos com Cavallieri, Bruno, Gum, Anderson e Carlinhos; Edinho ( ou Valência ), Jean, Deco e Wagner; Wellington Nem e Samuel ( Rafael Moura ainda cumpre suspensão ).

Na prática nada muda no esquema adotado até agora. Quando Thiago Neves estiver retornando, é possível que Lanzini e Sobis estejam saindo. No caso de Sobis, temos Marcos Júnior como substituto natural. Isso nos deixa com cinco atacantes: Nem, Marcos Junior, Samuel, Fred e He-man. É quase a conta do chá, mas passaríamos a ter enormes problemas com uma eventual saída de Nem para o futebol europeu, que todos esperamos que não ocorra.

O problema maior começa a se configurar no meio de campo. Até o fim do seu contrato, Lanzini passa a ser a única opção de meia ofensivo. Com a volta de Thiago Neves, mas com a saída de Lanzini, continuaremos com apenas uma opção. Já é menos que a conta do chá. Abel recorrerá às categorias de base? É provável, uma vez que o mesmo já garantiu que iria promover mais alguns meninos. Se houver quem tenha personalidade para assumir tal desafio, é bom para o clube. Mas é uma situação para a qual devemos estar atentos. Não seria má ideia a prorrogação de contrato de Lanzini. O problema é que o mesmo não parece contar muito com a simpatia de Abel Braga. Além do que não mostrou – ou não teve muitas oportunidades para mostrar – nada que justifique o preço exigido pelo River Plate para a sua transferência em definitivo para as Laranjeiras.

Até mesmo na zaga e na posição de volante, com a longa ausência prevista de Diguinho e Leandro Euzébio, teremos que contar com a garotada para manter o elenco forte. Caso contrário, estaremos abaixo da conta do chá. Uma contratação para a zaga, aliás, seria muito bem vindo, contanto, é claro que seja para disputar vaga de titular.

Até aqui a força do nosso elenco nos dá a certeza de que nosso desempenho não foi melhor até aqui por meros detalhes. Mesmo muito desfalcado o Fluminense poderia estar na fase semifinal da Libertadores. A expulsão de Carlinhos e o escandaloso pênalti não marcado ao nosso favor na Bombonera e uma desatenção no último minuto no jogo do Engenhão, que acarretou o gol de empate do Boca, são detalhes de uma história que poderia ter tido final diferente. O mesmo ocorrendo com o jogo do último domingo, quando a expulsão de Wallace ainda no primeiro tempo desencaminhou uma vitória que se desenhava até com alguma facilidade.

Acredito, contudo, no planejamento do futebol tricolor e torço para que Deco e Fred possam comandar uma bela arrancada no Brasileiro, garantindo uma boa gordura para o resto da competição. Que João de Deus proteja suas musculaturas!

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28/05/2012 - 12:22

Deixamos escapar dois pontos

Marcelo Savioli


Abel Braga preferiu não cometer qualquer ousadia na noite de ontem. Manteve o seu tradicional 4/4/2, com Marcos Júnior e Samuel, até então o ataque C do Fluminense. O meio de campo foi o mesmo que atuou na partida da última quarta-feira e nas laterais tivemos Wallace e Carlinhos nos lugares de Bruno e Carletto.

O Flu começou avassalador, com muita movimentação e velocidade, envolvendo muitas vezes a defesa do Figueira, tanto que não demorou a abrir o placar em belo arremate de Marcos Júnior, que atuou com bastante desenvoltura até ser substituído no segundo tempo por contusão. Aliás, falar em contusão no Fluminense já virou redundância. Menos mal que agora teremos uma semana e meia para tentar recuperar algumas peças para enfrentar o Santos, na Vila Belmiro, num daqueles chamados jogos de seis pontos.

E o Fluminense parecia fadado a conquistar uma vitória fácil, mas parece que o atual estado de espírito reinante em Laranjeiras não está nada para facilidades, porque ainda no primeiro tempo o menino Wallace usou de toda a sua inexperiência para deixar o Fluminense com um a menos ao ser expulso após receber o segundo cartão amarelo. Daí em diante o Figueirense equilibrou o jogo, mas só obteve o gol de empate no segundo tempo, quando o Fluminense recuou demais, talvez fragilizado pelo desequilíbrio numérico em campo e pelo fato de ter menos um atacante, já que Samuel fora substituído por Fabio Braga. Mesmo assim o Flu foi buscar o segundo em um contra-ataque fulminante. Wagner recebeu assistência perfeita de Marcos Júnior e marcou o primeiro com a camisa tricolor. O problema é que Wagner ficou tão entusiasmado, que resolveu empurrar a bola para as redes uma segunda vez, só que dessa vez contra. O desvio do meia tricolor foi providencial para dar o rumo das redes a um chute despretensioso de fora da área do atleta catarinense.

Mesmo pressionado durante boa parte do segundo tempo, o Fluminense realizou uma partida bem razoável para quem mais uma vez jogou sem vários titulares, passou todo o segundo tempo com um jogador a menos e ainda perdeu aquele que vinha sendo o seu principal atacante. Mais uma vez o jogo serviu para exibir a força do nosso elenco, mas também para mostrar que é preciso ter muita atenção e inteligência durante as partidas. Ter um jogador expulso aos 40 minutos do primeiro tempo poderia ter nos custado ainda mais caro. E já está mais do que na hora de o Fluminense emplacar uma sequencia de exibições convincentes e vitórias inquestionáveis. A irregularidade assusta a torcida, que esteve em número ridículo ontem no Engenhão. Menos de seis mil pessoas não é público para Fluminense F.C.

De bom mais uma boa atuação do nosso meio de campo, o crescimento do futebol de Wagner e a afirmação de Marcos Junior como uma bela opção ofensiva. O garoto tem personalidade e está se soltando. E já está na hora de o Fluminense parar de recuar tanto suas linhas quando está em vantagem no placar. Se você atua com as linhas avançadas, cria dez oportunidades de gol, converte uma e o adversário só criou uma, por que você vai recuar e deixá-lo se aproximar da sua área? Tudo bem que ontem teve a desculpa de termos um jogador a menos. Vamos ver como será na próxima.

Continuamos candidatíssimos ao título. Temos todas as condições para isso. Só nos está faltando um pouco mais de autoridade.

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24/05/2012 - 14:56

Não somos pesadelo de Boca nenhum. Somos o Fluminense F.C.

Marcelo Savioli


Acabou a freguesia fajuta e acabou a Libertadores para o
Fluminense em 2012. Nos últimos três jogos diante da
equipe argentina perdemos dois e empatamos um.
Nenhuma vitória. Nenhuma vitória, sobretudo, na hora
que mais precisávamos dela.

E a torcida aplaudiu ao final do jogo. Aplausos mais que
justos para o Fluminense que segue o duro e acidentado
caminho que leva ao reencontro consigo mesmo. Nesse
caminho havia o Boa e toda a sua tradição. E eu já
dissera em minha coluna de ontem no Fluminense & Etc
que a nossa missão não era vencer o Boca, tampouco
era ganhar a Libertadores. Nossa missão é ganhar
muitas Libertadores até o fim dos tempos. Como
também é ganhar muitos Brasileiros, como esse pelo
qual temos um compromisso vital no próximo domingo,
diante do Figueirense.

Não gosto de lamentar o que passou. A perda de ontem,
do jeito que foi, foi traumática. Porém a dor maior foi
lembrar daquela final de 2008. Chegamos tão perto. Mas
não chegamos. O trem segue parado na estação 2 de
Julho, esperando reparos. Perder para o Boca Juniors em
uma quarta de final não é o fim do mundo. Não que não
tenhamos do que reclamar. Essa contenda se definiu no
primeiro jogo, primeiro na sandice cometida por Carlinhos
ao meter a mão na bola e ser expulso, segundo no erro
clamoroso do árbitro no final daquele primeiro tempo,
quando deixou de marcar um pênalti claro a favor do
Fluminense, que acarretaria a expulsão do jogador
argentino. O Fluminense teria a chance de iniciar o
segundo tempo com um gol de vantagem e igualado
numericamente em campo. Não gostei também da
substituição de Wagner por Wellington Nem a quinze
minutos do final. Abel fragilizou nosso meio de campo,
tanto defensiva, quanto ofensivamente. E foi a partir do
meio de campo que levamos o gol fatídico, acreditem,
num contra-ataque aos 45 minutos do segundo tempo,
quando o resultado de 1x0 nos possibilitava uma decisão
nos penais, sabendo-se que temos um goleiro
especialista em defendê-los. Mata-mata é assim.
Pequenos detalhes fazem toda a diferença.

Mas vamos ao lado bom disso tudo. Porque eu não
imaginava que após uma eliminação na Libertaodres
estaria aqui reclamando de Abel por ter tirado Wagner.
Porque Wagner ainda irá nos dar alegrias. Não é um
maestro capaz de substituir Deco. Aliás, no futebol
brasileiro ninguém é capaz de substituir Deco. Deco é
único. Com Wagner o time joga em outro ritmo, tem uma
certa dificuldade de reter a bola, sobretudo porque as
outras peças também são extremamente ofensivas,
como é o caso de Jean, outra grata surpresa. Jean vem a
cada jogo se candidatando a ídolo do Fluminense. O
único problema de Jean no jogo de ontem foi ter
destruído todas as jogadas que ajudou a criar, sempre
tentando um drible a mais e atrasando a assistência.
Chegou a se atirar dentro da área no segundo tempo,
quando levara vantagem sobre o adversário,
desperdiçando mais um ataque. Eis aí um trabalho para
Abel Braga! Se corrigir esse defeito no volante,
ganhamos absurdamente numa competência que não
tínhamos há séculos, que é o homem que vem de trás e
se infiltra nas linhas inimigas.

Edinho disputou uma partida exuberante. Nenhuma das
críticas feitas a esse atleta são injustas, no máximo
exageradas e sistemáticas. E eu me incluo nisso. Mas
Edinho mostrou que ainda tem muito a dar ao
Fluminense, seja como titular, seja como reserva. Está
sempre de parabéns o profissional que não se curva às
críticas e consegue se superar. Edinho está de parabéns.

Outro jogador que voltou a mostrar competência até para
ser titular foi Thiago Carleto. Não tanto pelo gol, quando
a sorte lhe bafejou sorridente e escancarada, mas pelo
conjunto da obra. Precisa ser apresentado à linha de
fundo, de onde os cruzamentos têm muito mais chances
de sucesso.

Nossa zaga também teve grande atuação, facilitada pela
postura do time em campo, que marcou pressão e se
preocupou com Riquelme, que passou praticamente os
noventa minutos no bolso de Edinho. O Boca não
ameaçou o Fluminense durante todo o primeiro tempo.
Cavallieri foi expectador privilegiado. O Tricolor impôs
seu ritmo forte, de pegada na marcação e muita
movimentação. Sem poder trabalhar a bola do seu jeito,
empurrando o jogo com a barriga, o Boca ficou perdido e
encurralado em campo. Apesar disso conseguiu se
defender bem e evitar uma avalanche de oportunidades
de gol para o adversário.

O segundo tempo foi mais equilibrado. Mesmo assim, ao
tentar sair mais para o jogo, o Boca acabou cedendo
também espaços ao Fluminense, que até teve mais
chances claras de gol, dentre as quais uma perdida por
Sóbis na pequena área e outra por He-man.

Enfim, o Fluminense tem duas maneiras de jogar: uma
com e a outra sem Deco. É bom começarmos a pensar a
vida sem Rafael Sóbis, que, apesar dos bons serviços
prestados, será um peso a menos em nossa folha
salarial, que é grande responsável pelo endividamento
do clube. Temos Nem e Marcos Júnior, o que nos garante
boas opções para o Campeonato Brasileiro. Não há o que
justifique fazer um investimento tão alto quanto o que é
necessário para contar com o atleta gaúcho, ainda que
não se possa negar que foi e continuaria sendo muito
útil.

Quanto a Abel Braga, a sua manutenção será condição si
ne qua non para a conquista do tetracampeonato
brasileiro. Cometeu muitos erros, é teimoso, mas
nitidamente conseguiu montar um elenco forte, bem
distribuído e capaz de exibir padrão tático mesmo
quando sofre muitas alterações, como no caso dos
últimos jogos, quando esteve privado de vários jogadores
até então titulares.

Fica sim uma sensação de tristeza, porque tínhamos
condições de conquistar essa Libertadores. Mas fica
também uma sensação de muita esperança. Só nos resta
um troféu a disputar. Somos campeões do Flamengão.
Podemos ainda transformar 2012 em um ano brilhante e
inesquecível. A Libertadores e o bi Mundial ficam para
2013. Domingo é o Figueira.

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20/05/2012 - 18:18

Seremos campeões

Marcelo Savioli


O Fluminense mostrou na tarde de hoje a força do seu elenco e deu um passo importante para a conquista do tetracampeonato, batendo aquele que tem tudo para ser um de seus principais adversários na luta pela já tardia conquista.

Abel repetiu a estratégia de jogo do adversário, atuando com três atacantes, dois volantes e um meia de ligação, buscando jogar no erro do adversário. Os espaços ocorreram no início do jogo, mas a garotada tricolor estava visivelmente nervosa e desperdiçava todas as oportunidades dadas pelo adversário, que, apesar disso, tinha mais volume de jogo.

Marcos Júnior, jogando mais recuado para puxar os contra-ataques, não funcionava, errando todas as jogadas, enquanto Samuel esteve apagado no ataque ao lado de Matheus Carvalho, que também não produzia bem.

Com isso o primeiro tempo acabou marcado por poucas oportunidades claras de gol, com as defesas levando vantagem sobre os ataques. Embora se posicionasse bem defensivamente, ninguém no Fluminense atuava bem. Lanzini, o responsável pela ligação, começou inspirado, mas foi sumindo no decorrer do jogo. Digão e Fábio Braga funcionavam na marcação, mas não chegavam ao ataque.

No segundo tempo Abel resolveu tirar Lanzini para promover a entrada de Jean. Na minha humilde opinião um mal sinal. Se Abel arriscou colocar Jean em campo, isso deve significar que nossos volantes na quarta-feira serão Valência e Edinho. Justo quando precisamos de volume ofensivo. Espero que não, mas parece que sim. Lanzini deve ter sido poupado, já que é a única opção ofensiva no meio para quarta-feira.

Se Wallace não fosse tão afobado na hora do passe decisivo, já seria candidato a uma posição entre os titulares. Abel precisa trabalhar isso no garoto. Jogou com personalidade, deu boa opção de saída de bola, mas sempre que tinha a oportunidade de dar o grande passe, errava. Carleto, por sua vez, preferiu não se aventurar tanto no ataque. A entrada de Carlinhos no lugar de Matheus Carvalho, fazendo dueto com Carleto pelo lado esquerdo e ajudando a fechar o meio de campo compactou o time, que já sofria pressão do Corinthians no segundo tempo, além de agregar a competência experiência ao time que se encontrava em campo. A partir daí a vitória começou a ficar mais visível e saiu em uma cabeçada cheia de estilo de Leandro Euzébio, após cobrança de escanteio.

O tetra nos sorriu na primeira rodada, fora de casa, contra um adversário terrível, se pronunciando como uma profecia bíblica no horizonte. Quem viver, verá. O começo não poderia ter sido melhor. O Fluminense provou que tem elenco para suportar a maratona do Brasileirão. Os dois próximos jogos serão contra Figueirense, no Rio, e Santos, na Vila. É buscar as duas vitórias, que nos colocarão nos trilhos da glória.

Mas antes temos uma missão vital para que o Fluminense possa viver no presente pelo menos 10% de seu verdadeiro tamanho. Consiste em derrotar o Boca, eliminando os xeneizes mais uma vez de uma Libertadores. Evidentemente que será o jogo do ano até aqui, quando duas camisas poderosas se enfrentarão na mais importante competição do continente.

Espero que Abel não tire Jean do time. Jean, na ausência de Deco, será responsável por dar volume ofensivo ao Fluminense, já que apoia com autoridade. O Fluminense não tem mais nada a estudar. Tem que agredir desde o primeiro minuto, marcar avançado e inflamar a torcida. Sem Deco, a velocidade e a pressão é o que nos resta. Sobretudo se tivermos o retorno de Nem, que parece garantido.

Que a benção de João de Deus se faça presente no Engenhão na próxima quarta, que obtenhamos mais uma vitória épica.

O trem continua estacionado na estação 2 de Julho, esperando pelo último ato do roteiro que ainda não terminou.

No mais, belo começo de Brasileiro. As coisas vão muito bem, obrigado. Quarta-feira hão ainda de melhorar.

Fiquem com Deus e boa semana!

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17/05/2012 - 22:26

Quarta-feira é guerra

Marcelo Savioli


Nenhuma agressão pode ser pior que ser derrotado por
uma arbitragem tendenciosa. Foi o que aconteceu hoje.
Tudo começou no primeiro cartão amarelo mostrado ao
lateral Carlinhos, que sequer tocou no adversário
argentino, que se atirou espalhafatosamente.

Foi a senha para o Boca explorar o lado direito de seu
ataque e encontrar por ali suas primeiras oportunidades
de gol, todas após os 15 minutos. Até então o
Fluminense exercia marcação perfeita em todos os
setores do campo e já criara pelo menos duas
oportunidades preciosas de gol. Até então parecia que a
Bombonera se renderia à força da camisa mais gloriosa
do continente.

O que se viu, doravante, todavia, foi o domínio do Boca.
O Flu recuou demais suas linhas, trouxe o adversário
para o seu campo e lhe deu o cenário que precisava. A
equipe argentina não se atira desesperada em busca do
gol. Nunca. Trabalha a bola até encontrar espaços,
normalmente exploradosp pelo maestro Riquelme. Como
o espaço era muito em nossa intermediária, o Boca
pegava todos os rebotes e todas as suas linhas
cresceram. Surgiu então Cavallieri, o nome do jogo, com
grandes defesas.

A expulsão de Carlinhos, em lance infantil, ajudou a
definir o destino do jogo. Mas não na primeira etapa, que
terminou empatada. Aliás, só terminou empatada por
conta de um pênalti escandaloso não marcado para o
Fluminense, quando o defensor, vendo-se batido no
lance, abriu os braços. Anderson, livre no segundo pau,
cabeceou para o gol. Seria o primeiro do Flu, mas a bola
desviou na mão boba do argentino, que, além da
marcação da penalidade, teria que ser expulso.
Começaríamos o segundo tempo com um gol de
vantagem e tendo neutralizada a vantagem numérica do
Boca. Mas a arbitragem estrupício nada deu e propiciou
ao Boca um cenário favorável no segundo tempo.

Abel optou por tirar Sobis e deixar He-man, colocando
Carletto, que teve grande atuação, para ocupar a lateral
esquerda. Que bom que Carletto teve grande atuação!
Será imprescindível que o repita na próxima quarta-feira,
quando o Engenhão deverá ser um verdadeiro campo de
batalha. Campo de batalha esse em que a torcida do
Fluminense deverá desempenhar seu papel. Não sai de
nossas mentes a farra protagonizada pela torcida do
Boca no jogo da fase de grupos no Engenhão. Cabe a
todos os tricolores estarem cientes de que deverão
cantar, os 40 mil presentes, durante os 90 minutos, no
que para os xeneizes deverá ser o inferno na Terra e o
fim do sonho de conquistar a principal competição do
continente onde o futebol é mais bonito.

Fez muita falta a experiência de Deco, sobretudo quando
fomos pressionados. A mesma diferença que fez o
maestro quando os vencemos na mesma Bombonera.
Rafael Moura não tem conseguido substituir Fred na
tarefa de fazer o pivô. He-man, embora tenha atuado
com muita vontade e ganhado algumas bolas, não tem o
talento de Fred. Por isso mesmo, defendi que Abel
escalasse o ataque com Rafael Sóbis e Marcos Junior,
fazendo o jogo no chão. Talvez houvesse facilitado a
tarefa de Thiago Neves, que não atuou bem, sobretudo
quando deixou de ter com quem jogar nos momentos
em que o Fluminense recuou.

Nada está perdido. Torçamos para que Wellington Nem
esteja disponível para o jogo decisivo. Nesse jogo sim,
He-man poderá ser decisivo para enfrentar a favorecida
verticalmente defesa do Boca. Não há muitas
alternativas. É jogar com a marcação avançada,
encurralar os argentinos e deixá-los espernear, enquanto
a bola lhes estufa a rede regularmente.

Para isso, todavia, será necessário que Wagner tenha
melhor desempenho. Ou que encontremos outra opção.
Se Valência puder jogar, melhor ainda. É muito mais
capacitado que Edinho quando tem a incumbência de
realizar a saída
de bola. Além de ser mais eficiente na marcação.

O trem continua parado na estação 2 de Julho. O ano de
2008 não terminou. Nós não vamos desistir ante uma
vergonhosa e grotesca atuação tendenciosa de um
árbitro que abusou de distribuir cartões para nossos
atletas, ignorou um pênalti claro e interferiu no rumo da
partida. Isso, aliás, não é novidade.

Estamos de peito aberto, contra tudo e contra todos, até
que se envergonhem de tanta patifaria e possamos
enfim agarrar aquilo que há quatro anos nos pertence e
que só não temos por meros detalhes e pequenos
deslizes morais.

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14/05/2012 - 20:33

O Rio com as cores que lhe convém

Marcelo Savioli


Vivemos ontem no Engenhão uma tarde que de certa forma nos reporta ao Rio Antigo. Depois de dezessete anos o Flu voltou a vencer um grande numa final de Flamengão. Voltei a uma época em que o Flamengão não era ainda Flamengão e sim Campeonato Carioca, quando uma certa Máquina, capitaneada por Rivelino e Carlos Alberto Torres trucidava seus adversários. Uma época em que íamos cheios de confiança para o estádio e conquistar títulos era tão natural quanto escovar os dentes após as refeições.

Depois foi o Campeonato Fluminense, após a fusão da capital com o estado do Rio de Janeiro, que suscitou uma das maiores farsas do futebol, que perdura até hoje. Trata-se do tricampeonato em dois anos do Flamengo, ontem motivo de chacota para as outras torcidas, hoje institucionalizado. O sistema exercitou com maestria a máxima de que uma mentira repetida a exaustão se torna verdade.

Mas vamos falar de coisas boas e tratamos oportunamente desse assunto, que como todas as fraudes, deve ser exposto a céu aberto. A desproporção entre as torcidas na tarde de ontem, que teria sido ainda mais exacerbada se o jogo houvesse sido no Maracanã, onde a torcida do Botafogo não teria reservada a metade do estádio para deixá-la vazia, já dava o sinal de que a partida final do campeonato dificilmente deixaria de ser uma mera formalidade.

O Botafogo, não obstante, não estava disposto a colocar faixa em ninguém. Em pelo menos dois momentos da partida, no início das duas etapas, teve domínio territorial e rondou perigosamente a área tricolor. Faltavam três gols para os solitários levarem a final para os pênaltis. Antes eram 90 minutos, então já eram quarenta e cinco, mas o Fluminense perdera Deco. O drama botafoguense tinha sua medida em conta-gotas, mas a esperança veste verde, não veste preto. E ela se foi com o gol de Rafael Moura, a quem coube a honra de marcar o gol do título. Só então a massa tricolor explodiu no grito de campeão, que ecoou pelas arquibancadas do estádio João Havelange, a casa do Botafogo, batizada com o nome de um tricolor. Isso é que é democracia e desprendimento! Sobretudo se levarmos em conta que o Flu já comemora o segundo título no estádio dos solitários, isso sem contar a Taça Guanabara.

O Fluminense fez um campeonato estranho, peculiar, resumido em duas partidas. A primeira foi contra o Vasco, na final da Taça Guanabara, quando engoliu o adversário e no início do segundo tempo o placar já anotava 3x0 para o Prêmio Nobel do Esporte. O segundo foi a partida do último domingo, quando o Flu aplicou uma goleada no adversário de ontem, praticamente pondo fim as emoções no Flamengão 2012. Naquela ocasião, como na outra, o Flu nos brindou com uma grande atuação. Jogamos as decisões com a autoridade de melhor elenco do futebol carioca, disputamos o campeonato como qualquer um, nos classificando para a fase semifinal da Taça Guanabara na bacia das almas e chegando à final através de uma vitória obtida nos pênaltis sobre o próprio Botafogo.

Ontem o time mostrou como mais notória característica a competitividade. Jogou ligado os 90 minutos, com aplicação tática e se igualando ao Botafogo em garra, como não tivesse vantagem alguma. Foi exatamente isso que fez com que a vantagem obtida no primeiro jogo pesasse, mas sobre os ombros dos adversários.

A imensa nação tricolor em todo o planeta está de parabéns por mais essa grande conquista. O time está de parabéns, a comissão técnica idem. Parabéns também à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que pode respirar a leveza do verde, branco e grená colorindo suas ruas. O Rio é mais Rio quando o campeão é o preferido dos Deuses, o clube que só deixou de fazer história quando descobriu-se que era a própria.

O ano se nos afigura promissor. Todas as metas foram atingidas até agora no futebol profissional. Estamos nas quartas de final da Libertadores e somos campeões do Flamengão. Temos um time competitivo, um grupo que parece fechado e ainda estamos encontrando soluções para as peças sobressalentes do elenco, o que deve trazer um alívio à folha de pagamento. Alguns garotos vão tendo oportunidades e o elenco mostra sua força, superando ausências importantes como a de Wellington Nem, que vinha sendo o destaque da equipe na temporada. A Libertadores é uma realidade. Só faltam seis partidas para o sonho se realizar. Além disso temos um elenco numeroso e qualificado, o que nos dá uma vantagem diferencial para a disputa do Brasileiro, que deverá ter em Santos, São Paulo, Inter e Corinthians os outros principais postulantes ao título.

Vamos curtir essa saborosa conquista, mas sem excessos. Quinta feira já é ritmo de competição. Nossa melhor campanha na primeira fase nos garantiu o direito de enfrentar Inter, Boca e, passando pelos argentinos, enfrentar a La U, que deve eliminar o Libertad. Chegando a final deveremos ter Santos, Vélez ou Corinthians. Ou seja, além de estarmos envolvidos na disputa de uma das mais difíceis Libertadores de todos os tempos, ganhamos o direito de enfrentar um cardápio de adversários capaz de fazer tremer o mais frio dos torcedores. Parece obra do Roteirista. Tomara que seja! Porque o final desses roteiros mirabolantes todos nós já conhecemos.

Fiquem com Deus e que 2012 seja um ano para nunca mais ser esquecido, como foi há sessenta anos, na magistral conquista do Mundial de Clubes de 1952.

Saudações Tricolores!

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11/05/2012 - 20:49

Um roteiro perfeito e inovador

Marcelo Savioli


Quem se lembra de Inter x Fluminense nas rodadas finais do dramático Campeonato Brasileiro de 2010? Foi a maior noite da carreira de Ricardo Berna, que, com defesas milagrosas, segurou um empate crucial para a conquista do tricampeonato.

Na noite de ontem o Inter mais uma vez pode ter marcado a história de uma grande conquista tricolor. Eu sei que ainda faltam seis partidas para alcançarmos a glória, mas haja o que houver, as duas partidas entre Flu e Inter foram uma admirável e inovadora obra do Roteirista, quebrando o velho e sempre bem vindo hábito das vitórias conquistadas com gols heroicos no último minuto. No primeiro jogo o Fluminense passou todo o
primeiro tempo mostrando porque era o favorito nesse confronto. Dominou o Inter dentro do Beira-Rio e deu a impressão de que não demoraria para garantir a classificação. Ledo engano. A classificação veio suada, com muita transpiração, somente no apito final no Engenhão, que provocou um gigantesco suspiro coletivo de alívio.

Já na primeira partida o Inter surpreendeu na volta do intervalo, exercendo um domínio quase avassalador, encurralando o Fluminense em seu campo durante cerca de quinze minutos. A pressão valeu aos gaúchos um pênalti, que Cavallieri defendeu de forma heroica. O Fluminense então voltou a equilibrar o jogo, teve uma grande chance com Sobis, mas nos cinco minutos finais voltou a ser pressionado. E o Inter quase marcou nos
minutos finais. Cavallieri nos fez lembrar de uma certa
Leiteria e defendeu com os olhos uma bola que tocou
caprichosamente em sua trave esquerda.

Apesar da vitória maiúscula sobre o Botafogo, que deixou o Flu com a mão na taça no Flamengão, não houve quem esperasse facilidade na noite de ontem. Nossos zagueiros transformaram o primeiro tempo em um verdadeiro trailler de horror. O Inter abriu o marcador, apesar do maior volume de jogo tricolor. O time gaúcho exercia forte marcação a partir já de nossa intermediária, ocupando-se de neutralizar as ações de Deco, ocupando sua área de ação com seu time de rugby, que deixava
pouco espaço para as linhas do Prêmio Nobel trabalharem. A estratégia tricolor foi liberar Jean para o apoio. Jean foi um dos grandes nomes da partida ao lado de Thiago Neves, mostrando que não basta marcar Deco. E foi de Thiago Neves a jogada do primeiro gol tricolor, mal a torcida do Inter experimentara o gosto da vantagem. Cruzamento perfeito e cabeçada de Leandro
Euzébio, que se redimiu da falha no gol colorado, quando
preferiu deixar a bola quicar a se antecipar ao contrário para matar a jogada. Leandro Euzébio pode não ser um primor de requinte, mas é um guerreiro que assume para si responsabilidades.

Quando em outro cruzamento perfeito de Thiago Neves, Fred decretou a virada tricolor, no finalzinho do primeiro tempo, o Engenhão explodiu em apaixonada cantoria. Mesmo dividida em oitocentas torcidas organizadas, a massa tricolor apoiou a equipe e os próprios torcedores tratavam de reprimir as horrendas vaias que nada acrescentam em momentos de dificuldade. Está de parabéns a torcida tricolor pela atitude na noite de ontem. Mereceu toda a felicidade estampada em
dezenas de milhares de rostos na festiva saída do
estádio.

O Fluminense iniciou o segundo tempo decidido a liquidar a fatura. Partiu para cima do Inter, mas logo levou o primeiro susto, ficando claro que a fatura não estava liquidada. Talvez ficasse próximo disso se a cobrança de falta de Thiago Neves não tivesse explodido na trave esquerda do arqueiro colorado. Mas o terceiro gol não estava no roteiro. Estava sim a contusão de Fred. Pedi por Marcos Júnior, para dar mais velocidade ao setor ofensivo, intimidando o Inter. Abel optou por He-man,
mantendo a estrutura tática, mas não a qualidade de Fred no pivô. O Inter foi se animando, mas sem criar grandes oportunidades. O problema foi quando Abel tirou Deco para colocar Valência em resposta a desesperada estratégia de Dorival de colocar um terceiro atacante. O Fluminense começou ali a perder o domínio do meio de campo e acabou encurralado. Naquele momento, com o Inter inferiorizado numericamente no meio de campo, tudo que não precisávamos era colocar três volantes no time, tirando o homem que mobilizava a marcação
colorada. O Inter começou a encontrar espaços em nossa
intermediária para trabalhar a bola, enquanto nossa marcação atuava recuada quase dentro da própria área. A receita para o sufoco e as cenas finais do suspense estava pronta.

No Engenhão e em todo o mundo a imensa nação tricolor viveu momentos de tensão até o último minuto de acréscimo. Fisicamente o time do Inter parece de rugby. E os colorados usaram toda a sua força física para pressionar, lançando bolas na entrada da área, em busca de uma bola boba rebatida. A zaga rebatia como podia, lembrando uma partida do campeonato inglês da década de 70. Abel implorava para o time ficar com a bola, mas o Fluminense não tinha presença numérica na intermediária colorada e não conseguia realizar jogadas ofensivas. Para piorar, perdia a bola e deixava espaços
entre o ataque e a defesa, onde o Inter trabalhava com incrível liberdade.

Dagoberto, livre na frente de Cavallieri, quase marcou, arrancando gritinhos de horror das lindas tricolores que enfeitavam a arquibancada do Engenhão. E tudo então era o relógio. Tínhamos vontade de empurrar o ponteiro, para ver se passava mais rápido o tempo. Mas o relógio exitava, refugava e ria de nosso nervosismo. Ele também era mais um instrumento do Roteirista. Já estava escrito que o Fluminense não cairia nas oitavas de final, que talvez os Deuses do futebol tenham planos para o futuro próximo do Maior Clube do Brasil.

Em 180 minutos estivemos próximos da derrota em diversos momentos. Nunca fomos contemplados com um momento de sossego. Todavia o roteiro perfeito em todo o seu suspense encanta a plateia quando o final é feliz.

***

Falando em roteiro, não temos tempo para descansar. Domingo é o segundo jogo da decisão do Flamengão, na outra quinta o já tradicional Fluminense x Boca pelas quartas de final da Libertadores. E no outro fim de semana a estreia no Brasileirão contra o favorito do sistema. Não está dando nem para respirar. A gente se recupera de um jogo e já entra no ritmo do próximo.
Haja coração!

Domingo o Flu não terá Fred. Abel tem duas opções: colocar Rafael Moura e manter o esquema ou dar preferência a Marcos Júnior, que deixaria nosso ataque mais veloz, prendendo, sobretudo, os laterais alvinegros. Com a palavra Abel Braga.

Estaremos disputando o primeiro título de fato na temporada, com a vantagem de poder perder até por dois gols de vantagem. Se marcarmos primeiro, os solitários terão que fazer quatro. É caprichar na marcação, não dar espaços e manter dois homens os 90 minutos na intermediária adversária. Com Sobis e Marcos Junior na frente, tenho certeza que seguraremos de três a quatro defensores do Botafogo. Eles já têm a experiência do último jogo para entender que não se deve ir com tudo para cima do Fluminense.

***

É verdade mesmo os comentários que tenho ouvido de colorados e comentaristas da imprensa engajada? O Inter foi melhor que o Fluminense nos dois jogos? Que espécie de ilusão coletiva afetou o discernimento dessa gente? O confronto foi rigorosamente igual, graças à superação do Inter, que mesmo tendo um time inferior ao nosso, soube desenvolver estratégias para equilibrar os confrontos. Inclusive o Inter conseguiu em muitos momentos obrigar o Fluminense a jogar o seu jogo, mas
mesmo nesses momentos de rugby explícito, o Fluminense soube fazer o seu jogo e não sucumbir ao estilo inglês do Inter. Mais do que isso é forçar demais a barra. Que os colorados pensem assim, é a paixão falando mais alto. Já a imprensa, que se definam se vão fazer jornalismo ou propaganda!

Até domingo, no último jogo da maratona no estádio
olímpico!


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Ex: Fred; campeão; campeonato brasileiro

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